Se o fundamento filosófico da tolerância nasceu a partir da tentativa de resolver esse conflito, hoje ela se insere, por um lado, no âmbito dos Estados nacionais (diferenças sociais, raciais, culturais, sexuais etc.) e, por outro, nas relações internacionais (civilizações, grupos étnicos, identidades, fronteiras etc.).
Contudo, seja na época do seu nascimento, seja no mundo atual, a pergunta essencial, em relação à tolerância, continua a ser exatamente a mesma: como conviver com a diferença
- Promover a coexistência de pessoas ou grupos diferentes, de nações inteiras ou culturas marcadas por conflitos é um dos grandes desafios do mundo contemporâneo. Uma das características da ideia da tolerância é sua relação com o conflito, com a diferença, com a tensão, sendo justamente o caráter dessa relação que faz com que ela seja um tema atual. Como nos últimos anos essas relações tomaram novos contornos, é necessária, antes de tudo, a retomada dos pensadores que desbravaram a questão da tolerância enquanto um problema para além do aspecto religioso e político.
O presente livro apresenta sete textos sobre a temática central, sendo dois do século XVII, de Bayle e Locke, e cinco do século XVIII, de Montesquieu, Rousseau, Romilly (verbete “Intolerância” da Enciclopédia), Diderot e Voltaire. Cada um deles é precedido de um texto de apresentação, elaborado por um pesquisador na área, que foi o mesmo responsável pela escolha e tradução do artigo do filósofo. Desses textos, cinco são inéditos em língua portuguesa. Este volume se inscreve no debate contemporâneo em que a preocupação com a tolerância se impõe como objeto de reflexão propriamente filosófico e cuja base se encontra nos pensadores dos séculos XVII e XVIII. Voltar a eles, revisitá-los e relê-los poderá iluminar novas e antigas questões ligadas à tolerância.